O tempo de esterilização não é igual para todos os materiais. Ele pode variar conforme o método utilizado, o tipo de produto, a carga, a temperatura e as condições definidas para o processo.
É por isso que uma esterilização por vapor saturado não funciona da mesma forma que uma esterilização por peróxido de hidrogênio ou óxido de etileno.
Também existe uma diferença importante: o tempo de exposição não é necessariamente o tempo total do ciclo. O equipamento pode precisar realizar outras etapas antes e depois da exposição ao agente esterilizante.
Então, quando falamos sobre quanto tempo demora para esterilizar um material, precisamos olhar para o processo como um todo.
O que influencia o tempo de esterilização?
O tempo de esterilização está relacionado às condições necessárias para que o agente esterilizante alcance os materiais de maneira adequada.
O tipo de material é um desses fatores. Instrumentais com lúmens, reentrâncias ou formatos mais complexos podem apresentar desafios diferentes de um material simples.
A embalagem também precisa ser considerada. Ela deve permitir a ação do agente esterilizante e, depois do processo, contribuir para a manutenção da esterilidade do produto.
A carga é outro ponto importante. A quantidade de materiais e a forma como eles são distribuídos dentro do equipamento podem interferir no processo.
A temperatura também participa dessa definição. No vapor saturado, por exemplo, diferentes combinações de temperatura e tempo podem ser utilizadas de acordo com o ciclo estabelecido.
Por isso, o tempo não deve ser analisado sozinho. Material, carga, embalagem, temperatura, equipamento e método fazem parte do mesmo processo.
A RDC nº 15/2012 estabelece que os parâmetros definidos nas qualificações de operação e desempenho dos equipamentos de esterilização sejam respeitados. A norma também considera a carga de maior desafio na qualificação de desempenho, representando uma condição mais crítica encontrada na rotina do serviço.
Quanto tempo dura cada método de esterilização?
Cada método possui características próprias e, por isso, também possui ciclos e parâmetros específicos.
Vapor saturado
O vapor saturado sob pressão utiliza calor e umidade para realizar a esterilização de produtos compatíveis com esse método.
Em determinadas condições, referências técnicas apresentam combinações como 121 °C por 15 minutos ou 134 °C por aproximadamente 3 minutos para a fase de exposição.
Mas atenção: esses minutos representam a exposição nas condições estabelecidas, e não necessariamente o tempo total que o material permanece dentro do ciclo.
Antes da exposição, o equipamento realiza etapas como remoção do ar e preparação da carga. Depois, pode haver a etapa de secagem.
Por isso, encontrar a informação de “3 minutos a 134 °C” não significa que o material estará pronto para uso em três minutos.
Peróxido de hidrogênio
O peróxido de hidrogênio é utilizado em processos de baixa temperatura e pode ser uma alternativa para produtos que não são compatíveis com temperaturas mais elevadas.
O ciclo possui etapas próprias da tecnologia utilizada, e sua duração depende do programa selecionado e das características dos produtos e da carga.
Por isso, o tempo de um ciclo de peróxido de hidrogênio não deve ser comparado diretamente com o tempo de um ciclo a vapor.
São métodos diferentes, com condições diferentes de processamento.
Óxido de etileno
O óxido de etileno, conhecido como ETO, utiliza um agente químico em forma gasosa e possui características próprias de processamento.
O método permite o processamento de determinados produtos que apresentam restrições para outros processos de esterilização.
Além da exposição ao gás, o processo envolve etapas específicas de preparação e, posteriormente, condições de aeração. Isso é importante porque determinados materiais podem reter resíduos do óxido de etileno.
Assim, quando falamos sobre o tempo de esterilização por ETO, é importante considerar o processo completo e as condições estabelecidas para aquele ciclo, e não apenas o período de exposição.
Por que não existe um tempo único para todos os materiais?
Porque materiais diferentes podem apresentar desafios diferentes durante a esterilização.
Um instrumental simples, por exemplo, não apresenta necessariamente as mesmas características de um produto com lúmen ou uma carga com diferentes tipos de materiais.
A própria organização da carga pode interferir no processo. Se os materiais estiverem distribuídos de maneira inadequada, o agente esterilizante pode ter dificuldade para alcançar determinadas superfícies.
Por isso, cada processo precisa considerar as características dos produtos e as condições estabelecidas para aquela operação.
Essa é uma das razões pelas quais a RDC nº 15/2012 estabelece a importância da qualificação dos equipamentos e do acompanhamento dos parâmetros do processo.
O tempo precisa fazer sentido dentro daquele ciclo, daquela carga e daquele método.
Tempo de exposição é o mesmo que tempo de ciclo?
Não necessariamente. Essa é uma das principais diferenças que precisamos entender quando falamos sobre tempo de esterilização.
O tempo de exposição corresponde ao período em que o material permanece sob as condições determinadas para a ação do agente esterilizante.
Já o ciclo pode incluir outras etapas. No vapor, por exemplo, o equipamento pode realizar etapas de remoção do ar, aquecimento, exposição e secagem. No óxido de etileno, também existem etapas específicas relacionadas ao condicionamento, exposição e aeração.
Por isso, olhar apenas para o número de minutos da exposição não mostra necessariamente quanto tempo será necessário para concluir todo o processo.
Conclusão
O tempo de esterilização não pode ser definido apenas pelo relógio. Cada método possui características próprias, e cada carga pode apresentar diferentes desafios durante o processamento.
Vapor saturado, peróxido de hidrogênio e óxido de etileno possuem condições e etapas específicas. Entender essas diferenças ajuda a compreender por que o tempo de cada processo precisa ser definido de acordo com suas características.
Na Esteriliza, entendemos que cada método de esterilização exige parâmetros e cuidados próprios. Nossos processos consideram as características dos materiais e as condições estabelecidas para cada ciclo, mantendo o foco na segurança e na qualidade do processamento.
No CME, eficiência não é concluir mais rápido. É fazer o processo como ele precisa ser feito.
Quer entender melhor como cada método funciona? Entre em contato com a Esteriliza.


