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A lavadora ultrassônica para CME é um equipamento que auxilia na limpeza de instrumentais e produtos para saúde reutilizáveis.

No Centro de Material e Esterilização (CME), essa tecnologia contribui para padronizar a limpeza e apoiar o processamento de materiais que exigem cuidados específicos, como instrumentais com articulações, reentrâncias e lúmens.

Mas como funciona a cuba ultrassônica? Ela substitui a autoclave? E o higienizador ultrassônico realmente funciona? Entender as respostas ajuda a reconhecer a função do equipamento e sua importância no processamento de produtos para saúde.

O que é uma lavadora ultrassônica para CME?

A lavadora ultrassônica é um equipamento de limpeza automatizada que utiliza ondas sonoras de alta frequência para auxiliar na remoção de sujidades dos instrumentais.

O equipamento contém uma cuba com solução de limpeza compatível com os materiais processados. Durante o ciclo, o sistema gera ondas ultrassônicas que provocam a formação de pequenas bolhas no líquido. Esse fenômeno recebe o nome de cavitação.

Quando essas bolhas colapsam, liberam energia que ajuda a desprender resíduos das superfícies dos instrumentais, inclusive em regiões de difícil acesso para a fricção manual.

A equipe utiliza a lavadora conforme as instruções do fabricante do equipamento, dos produtos para saúde e dos detergentes empregados no processo.

Como funciona a cuba ultrassônica?

A limpeza ultrassônica acontece por meio da cavitação. As ondas ultrassônicas se propagam pela solução líquida e formam pequenas bolhas que crescem e colapsam rapidamente. Essa ação auxilia na remoção de sujidades aderidas aos instrumentais.

Os materiais são acomodados em uma cesta, totalmente submersos na solução de limpeza, e o equipamento é acionado pelo tempo e pelos parâmetros definidos pelo fabricante e pela qualificação realizada no serviço. Ao final, os instrumentais devem ser enxaguados, secos e inspecionados.

O resultado depende de fatores como o ciclo selecionado, a solução de limpeza, a disposição dos materiais na cuba e as características dos produtos processados.

Cuidados na utilização da lavadora ultrassônica

Para aproveitar a tecnologia corretamente, a equipe precisa observar alguns cuidados:

  • Pré-limpeza e limpeza manual: remover o excesso de sujidade e manter os artigos úmidos, conforme o protocolo do serviço, para evitar que os resíduos sequem. A limpeza manual precede a etapa automatizada nos produtos de conformação complexa.
  • Compatibilidade: confirmar se o produto pode ser processado por ultrassom. Alguns materiais e revestimentos podem ser danificados, e a indicação do fabricante do produto prevalece.
  • Preparo dos instrumentais: desmontar o que for desmontável, abrir articulações e posicionar os itens sem sobrecarregar a cuba. Canais e lúmens devem ser conectados aos acessórios próprios, quando indicado.
  • Solução de limpeza: utilizar detergente compatível, na diluição e na temperatura indicadas pelo fabricante.
  • Cuba e nível do líquido: manter o nível correto da solução e usar a cesta, sem apoiar os instrumentais diretamente no fundo da cuba.
  • Parâmetros do ciclo: respeitar o tempo e as condições estabelecidas para o equipamento e os materiais, evitando interromper o ciclo ou abrir o equipamento durante o funcionamento.
  • Segurança ocupacional: usar os equipamentos de proteção individual definidos pelo serviço, manusear com cuidado os artigos contaminados e evitar contato com a solução e respingos.
  • Etapas posteriores: realizar enxágue, secagem e inspeção. Se ainda houver sujidade, a limpeza deve ser repetida conforme o protocolo, sem encaminhar material sujo para a área de preparo.
  • Manutenção e registros: higienizar a cuba, realizar os controles e a manutenção de rotina e manter os registros, conforme as instruções do fabricante e as normas do serviço.

Esses cuidados ajudam a manter a consistência da limpeza. A equipe também deve seguir os protocolos institucionais e as orientações dos fabricantes.

A cuba ultrassônica pode substituir a autoclave?

Não. A cuba ultrassônica realiza a limpeza, enquanto a autoclave promove a esterilização por meio de um processo próprio. Os equipamentos têm funções diferentes e não substituem um ao outro.

A limpeza remove sujidades e reduz a carga microbiana, preparando os produtos para as etapas seguintes do processamento. A esterilização, por sua vez, busca eliminar todas as formas de vida microbiana viáveis, incluindo esporos, conforme os parâmetros validados para o processo.

Por isso, a lavadora ultrassônica não torna um instrumental estéril e não substitui a etapa de esterilização quando ela é necessária.

No fluxo da CME, a equipe deve executar todas as etapas aplicáveis ao produto para saúde, desde a limpeza até o preparo e a desinfecção ou esterilização, conforme sua classificação, as instruções do fabricante e os requisitos sanitários.

O higienizador ultrassônico funciona?

Sim. Quando a equipe utiliza um equipamento adequado, com parâmetros corretos e procedimentos compatíveis com os materiais, a limpeza ultrassônica pode auxiliar na remoção de sujidades dos instrumentais.

Uma de suas contribuições é alcançar regiões que dificultam a limpeza manual, como frestas, articulações e determinadas áreas internas. No entanto, o resultado depende das características do instrumental, da configuração do equipamento e das condições de uso.

A tecnologia não elimina a necessidade de inspeção, nem garante, por si só, que cada produto esteja limpo. A RDC nº 15/2012 prevê que a limpeza, manual ou automatizada, seja avaliada por inspeção visual com lentes intensificadoras de imagem de, no mínimo, oito vezes de aumento, complementada por testes químicos quando indicado.

Também é importante distinguir uma lavadora ultrassônica de outros higienizadores disponíveis no mercado. O profissional deve verificar a finalidade de uso, a regularização sanitária quando aplicável e a compatibilidade do equipamento com os produtos para saúde processados.

O que a RDC nº 15/2012 estabelece sobre a limpeza ultrassônica?

A RDC nº 15/2012 da Anvisa define a lavadora ultrassônica como um equipamento automatizado de limpeza que utiliza o princípio da cavitação.

Os requisitos de limpeza dependem da classe do serviço:

  • CME Classe I: processa produtos não críticos, semicríticos e críticos de conformação não complexa. A resolução prevê que o serviço disponha de ar comprimido medicinal, gás inerte ou ar filtrado, seco e isento de óleo para a secagem dos produtos.
  • CME Classe II e empresa processadora: a limpeza de produtos para saúde com conformações complexas deve ser precedida de limpeza manual e complementada por limpeza automatizada em lavadora ultrassônica ou outro equipamento de eficiência comprovada (artigo 67). Esses serviços também devem utilizar pistola de água sob pressão para a limpeza manual de produtos com lúmen e ar comprimido para a secagem (artigo 69).

Produtos de conformação complexa são os que têm lúmen inferior a cinco milímetros ou fundo cego, espaços internos inacessíveis para a fricção direta, reentrâncias ou válvulas. Para os que têm lúmen de diâmetro interno inferior a cinco milímetros, o parágrafo único do artigo 67 exige que a fase automatizada da limpeza seja feita em lavadora ultrassônica com conector para canulados e tecnologia de fluxo intermitente. Nesse caso, o uso da lavadora ultrassônica é obrigatório. Nos demais produtos de conformação complexa, a limpeza automatizada é obrigatória no CME Classe II e na empresa processadora, mas a norma admite outro equipamento de eficiência comprovada.

A resolução também exige qualificação de instalação, de operação e de desempenho dos equipamentos de limpeza automatizada, com periodicidade mínima anual (artigo 37), além do monitoramento da limpeza dos produtos e dos equipamentos automatizados (artigo 73).

Esses requisitos demonstram que a escolha do equipamento precisa considerar as características dos materiais e as exigências aplicáveis ao serviço.

E a norma ABNT NBR 17130-1?

A ABNT NBR 17130-1 trata das lavadoras ultrassônicas de uso hospitalar. A parte 1 especifica os requisitos gerais e construtivos para lavadoras com volume útil acima de 15 litros e seus acessórios.

Ela se aplica ao equipamento. Já a RDC nº 15/2012 estabelece as boas práticas do serviço que realiza o processamento. Ao adquirir ou avaliar uma lavadora, vale conferir a conformidade com a norma e as informações do fabricante, sem deixar de cumprir as exigências da RDC na rotina da CME.

Qual é a importância da lavadora ultrassônica na CME?

A limpeza representa uma etapa essencial do processamento de produtos para saúde. Resíduos orgânicos e inorgânicos podem proteger microrganismos e comprometer as etapas seguintes quando a equipe não os remove adequadamente.

A lavadora ultrassônica auxilia a equipe na limpeza de instrumentais compatíveis com essa tecnologia, especialmente quando apresentam regiões de difícil acesso, e reduz a dependência exclusiva da fricção manual. Seu uso correto contribui para a padronização do processo e integra o conjunto de controles necessários ao processamento seguro.

A escolha e a utilização do equipamento devem considerar as necessidades da CME, os materiais processados, as instruções dos fabricantes e os requisitos sanitários aplicáveis.

Na CME, cada etapa tem uma função específica. Compreender o papel da lavadora ultrassônica ajuda a equipe a utilizar a tecnologia de forma adequada e a manter o controle sobre o processamento dos produtos para saúde.

Para atender a esses requisitos, a Esteriliza conta, na etapa de limpeza automatizada, com lavadora ultrassônica equipada com conectores para materiais canulados e tecnologia de fluxo intermitente, conforme previsto no artigo 67 da RDC nº 15/2012 para produtos com lúmen inferior a 5 mm.

Essa etapa é fundamental para a segurança de todo o processamento. Afinal, a escolha do equipamento adequado e sua utilização correta contribuem para uma limpeza eficaz, preparando os materiais para as etapas seguintes até a esterilização.

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